Energia dos Oceanos

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Implantação em Portugal

Portugal dispõe sobretudo de recurso em termos de energia das ondas. O maior potencial situa-se na costa NW e centro de Portugal continental, ao largo de localidades como Aljezur, Sines, Cascais, Peniche, Nazaré, Figueira da Foz, Aveiro, Leixões e Viana do Castelo. As ondas mais a norte têm uma energia máxima superior à verificada nas regiões do centro mas, na primeira, a energia difere mais entre o Verão e o Inverno do que na segunda, onde a ondulação é mais constante ao longo do ano. A 50 m de profundidade a morfologia da costa confere o maior potencial à zona centro, seguindo-se a região norte e, depois, as zonas a sul.

Considera-se que, em Portugal, é nulo o recurso em termos de gradiente térmico (só em zonas tropicais) e de amplitude de maré (só em regiões específicas, nenhuma delas em Portugal) e fraco em termos de gradiente de salinidade e de correntes de maré (possível potencial nos maiores estuários).

 

Portugal tem atividade na área da energia das ondas desde 1977 através do envolvimento em projetos de I&D e de desenvolvimento e implantação de tecnologia tanto a nível nacional como em colaboração internacional. Entre as entidades envolvidas nestes projetos contam-se o Instituto Superior Técnico (CENTEC, IDMEC), o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (antes INETI), o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (INEGI), a Universidade de Aveiro, a Universidade do Algarve (CCMAR/CIMAR) e o WAVEC. Destas atividades académicas e também por parte de empresas privadas portuguesas resultou já o registo de mais de 60 patentes.

O mar português também é palco de exploração de energia das ondas. A construção da primeira central em Portugal foi terminada em 1999 em Porto Cachorro, ilha do Pico, Açores (Figura 1). Tratou-se de uma central experimental de conceção inteiramente portuguesa, primeira no mundo à escala real ligada à rede de distribuição de eletricidade. A conversão recorria à tecnologia coluna de água oscilante, produzindo eletricidade através de uma turbina Wells desenvolvida pelo IST e uma empresa portuguesa especificamente para o mar atlântico (esta turbina manteve o seu percurso de desenvolvimento tendo sido posteriormente incluída noutros projetos fora de Portugal). A central, colocada sobre a costa, com potência de aproximadamente 400 kW, esteve em funcionamento com operação autónoma sobretudo em 2010, tendo tido o seu fim por razões de segurança da estrutura em 2018.

Figura 1 - Central de ondas do Pico (fonte: www.pico-owc.net)

 

Em 2004, foi colocado a 43 m de profundidade, 6 km ao largo de Aguçadoura, Póvoa de Varzim (onde foi construído), um dispositivo de oscilação vertical, em arfagem, construído em aço (9 m diâmetro) à escala 1:2, com um gerador elétrico linear com 2 MW de potência, denominado Archimedes Waveswing (AWS) (Figura 2).

Figura 2 - Archimedes WaveSwing, na Póvoa de Varzim (fonte: www.teamwork.nl).

 

Em 2008 foram instalados, 5 km ao largo de Aguçadoura, três dispositivos de superfície denominados Pelamis, constituídos cada um por três cilindros oscilantes em aço colocados perpendicularmente à frente de onda, cada um com comprimento 142 m, diâmetro 3,5 m e potência 750 kW (Figura 3), totalizando 2,25 MW. Considera-se que constituíram o primeiro “parque” a produzir eletricidade para a rede de distribuição elétrica. Dois meses depois da inauguração a produção foi interrompida por razões técnicas e a crise económica de então justificou o fim do projeto.

Figura 3 – Pelamis, em Aguçadoura.

 

Em 2012 entrou em funcionamento, perto da costa de Peniche, um dispositivo de tecnologia denominada WaveRoller constituído por três painéis submersos de 18 x 10 m2, movidos pelas oscilações horizontais dentro das ondas, e um gerador hidráulico. Esta central tinha 100 kW de potência e ligação direta à rede elétrica (Figura 4). Esteve em operação dois anos e foi, entretanto, retirado do mar. Em 2020 é instalado 850 m ao largo da Praia de Almagreira, Peniche, a 16,7 m de profundidade, um novo dispositivo destes com um só painel e 350 kW de potência (Figura 8).

Figura 4 – WaveRoller, em Peniche, em 2012 (à esquerda) e em 2020 (fonte: www.aw-energy.com).

 

Apesar do recurso ser considerado fraco em Portugal, a Ria Formosa, perto de Olhão, albergou entre 2017 e 2019 um dispositivo de correntes de maré, neste caso aplicado a correntes fluviais em estuário, à escala 1:10, mediante um projeto internacional da Universidade do Algarve. A tecnologia do EVOPOD (Figura 5) é constituída por numa turbina de eixo horizontal, flutuante, com 1,6 kW de potência nominal à velocidade 1,6 m/s. O projeto permitiu simular o funcionamento do dispositivo em regiões costeiras de baixa profundidade.

Figura 5 – EVOPOD, na Ria Formosa.